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Setor bate recorde de exportações e aposta em China e EUA para 2015

12 de dezembro de 2014
PacaembuCNC

Abertura do mercado norte-americano é estratégia para expansão no Nafta; embarques para Hong Kong e Rússia garantiram avanço de 8,6% na receita de 2014, em relação ao ano anterior

São Paulo – No ano em que o País celebra o centenário do primeiro embarque de carne bovina, estima-se que as exportações atinjam o recorde de US$ 7,2 bilhões em faturamento e 1,58 milhão de toneladas. Passado o efeito Rússia, o setor foca na reabertura para a China e a entrada no mercado dos Estados Unidos no intuito de garantir um novo recorde para 2015.

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, o cenário positivo do mercado deve se estender pelo próximo ano, com a perspectiva otimista de chegar a US$ 8 bilhões em receita e 1,7 milhão de toneladas, em volume embarcado.

Próximos passos

Após dois anos de embargo à carne bovina brasileira, a China anunciou em novembro o retorno das importações. “Foi lamentável termos perdido este mercado. Hoje sabemos que o país vai comprar até cortes gourmet, ou seja, todo o tipo de carne de boi. Com esta proposta, acreditamos que eles sejam os responsáveis por puxar as exportações do Brasil em 2015”, explica o executivo. No ano passado, os chineses importaram cerca de 315 mil toneladas de bovino.

Na mesma linha, o diretor executivo da associação, Fernando Sampaio, acrescenta que a retirada do embargo, anunciada pela Arábia Saudita, também será importante para o segmento. Segundo ele, a reabertura de vendas para este país pode favorecer o comércio com Catar e Taiwan, por exemplo, que seguem as mesmas orientações sanitárias dos árabes.

“Também temos o Japão, que pode demorar mais tempo, mas já declarou que o embargo deve terminar em breve”, completa Sampaio. Nesta semana, o ministro da Agricultura, Neri Geller, esteve com representes do governo japonês em São Paulo para estreitar as relações entre os países, encontro em que a Abiec esteve presente. Cortes gourmet devem ser explorados para aquele mercado. A segunda aposta para 2015 está na abertura para exportação aos EUA. “Todas as questões políticas estão favoráveis e não existe nenhum constrangimento sanitário. A análise de risco já foi feita e temos plena certeza no aspecto legal”, diz Camardelli.

Inicialmente, o Brasil vai entrar com uma cota limitada de 64 mil toneladas, o que, de acordo com Sampaio, é pouco em vista do nível de importações americanas que se aproxima de um milhão de toneladas. Entretanto, os embarques serão feitos com cortes dianteiros que servirão de matéria-prima para hambúrguer.

“Os cortes dianteiros eram justamente onde tínhamos dificuldade para escoar. Agora temos uma alternativa de negócios e com um preço bom. Além disso, Estados Unidos será uma porta de entrada para Canadá, México, Caribe e América Central, que seguem os mesmos padrões de sanidade”, ressalta o diretor.

Efeito Rússia

Caso os conflitos políticos da Rússia sejam solucionados, já é esperada uma redução nos embarques para o país, segundo maior importador do Brasil.

Sampaio conta que o poder aquisitivo russo tem diminuído com a desvalorização da moeda local, o rublo. Isso deve acarretar a substituição de compras de cortes nobres para os dianteiros, mais baratos, ou até para outras proteínas, como as aves e suínos.

Oferta

Neste ano houve redução de cerca de 5% no abate e a expectativa é que este nível permaneça em 2015. Porém, Sampaio espera que a redução de abates informais diminua por parte dos frigoríficos e a produtividade aumento. A soma destes dois fatores deve atender a demanda que está sendo fomentada no cenário internacional. “O rebanho ficará praticamente estável, mas teremos mais animais por hectare e mais carne por animal. A demanda nacional também não será pressionada porque exportamos apenas 20% da produção, ainda existe espaço para crescer sem prejudicar o mercado interno”, completa.

 

DCI Nayara Figueiredo 12/12/2014

 

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